Wednesday, May 27, 2009

Contos #2


Tinha a camisa colada ao corpo e as botas torturavam-me como sempre. Tentava pensar noutras coisas, noutros lugares, para não sentir o castigo do sol. Pensava, por exemplo, em como seria bom pegar num bote e remar pelo lago dentro até às ilhas Solentiname, mas isso era uma coisa absurda. A Guarda patrulhava o lago de dia e de noite, e lá das lanchas costumavam ter uma pontaria do demónio. Transportei os meus pensamentos para a Costa Rica, para o cantinho europeu que Esteban me mostrara uma tarde a poucos quilómetros de Moravia. O cantinho era um meio hectare de bosque atravessado por um regato cheio de trutas. Sempre que podíamos íamos à pesca e, à sombra de frondosas árvores, fartávamo-nos de trutas fritas e de vinho chileno.



"Encontro de amor num país em guerra" de Luis Sepúlveda




É só um pequeno trecho, que pouco tem a ver com o conto original...
Só mais um para deixar água na boca! Aconselho a sua leitura!


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