Já houve mais situações engraçadas @east, mas não tem dado para postar... (tretas!)
Prometo novas aventuras, novas cidades, novas vivências para muito breve!! (isto é para ver se consigo deixar alguém minimamente ligado ao blog...)
Fica aqui a partilha das minhas ultimas leituras!! Não tem dado para ler daqueles calhamaços, e quem me tem “entretido” tem sido António Lobo Antunes, nas suas colunas da Visão, intensamente simples mas preenchidas de tudo:
Meu Deus, a pouco e pouco vamo-nos tornando sótãos onde o passado amarelece, a pouco e pouco os sótãos invadem a casa que somos, principiamos a mover-nos entre sombras truncadas de gente, emoções, memórias. Lentamente tiram-nos tudo, o presente afunila-se, o futuro uma parede. E nós, apesar de adultos, tão crianças ainda, assustados, perdidos, juntando pedaços dispersos para nos reconstruirmos de novo, continuarmos. Na direcção de quê? Para onde? Quem nos espera ainda?
(...)
Primeira pergunta: o que nos aconteceu? Segunda pergunta: o que será de nós? Não mandamos nada, os dias vêm e cavalgam-nos, arrastam-nos para onde lhes dá na gana, o nosso livre arbítrio é tão limitado, o que podemos escolher tão pouco.
(...)
Devemos fazer tudo o mais simplesmente possível mas não mais simplesmente do que isso: grande cabrão que acertou em cheio.
(...)
Há semanas passei pelo quarto alugado onde começámos a viver. Como não tínhamos dinheiro para mandar cantar um cego, depois do jantar, feito no parapeito da janela por causa dos cheiros, dávamos a volta ao quarteirão. O amor não são prazeres breves e localizados, como sustentava Colette, autora muito da minha estima, é uma vocação de sarça ardente. E estremeço de alegria quando noto nas minhas filhas as mães delas. Pareço uma caninha ao vento. Firme que nem caniço em noite de tempestade. São tão raras as mulheres que habitam a cama como um quadro habita a moldura, em que almofadas, lençóis, colchão, possuem o exacto tamanho delas e nós uma vontade humilde de ajoelhar, diante de tanta miraculosa perfeição. Sejam que horas forem é sempre